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xixi

Com a chegada dos primeiros calores estivais, decidimos com o infantário pôr o JR no bacio a ver se deixa a fralda de vez. Os resultados estão a ser satisfatórios e já dá para poupar uns dinheiritos em fraldas. A prova está em que já deitamos fora algumas que nem chegam a ser molhadas. Mas é um trabalho de sapa. Basicamente, é pô-lo no raio do penico a toda a hora.

Para encontrar o equipamento certo, já foi uma aventura. Experimentámos vários. Mas o facto do JR ter um percentil constantemente acima dos gráficos, quase que nos obrigou a comprar um daqueles alguidares de lavandaria. Na maior parte dos bacios, lá ficavam as partes de fora. Garanto-vos que não dá jeito nenhum, mesmo com balde e esfregona à mão.

Agora, o JR já pede para fazer xixi. Tem xixi, pede para fazer xixi. Tem cocó, pede para fazer xixi. Tem flatulências, pede para fazer xixi. Até aqui, tudo bem. Neste últimos dias, o leque de possibilidades aumentou. Quer sair da mesa, pede para fazer xixi. Não quer dormir, pede para fazer xixi. Não gosta de estar onde está, pede para fazer xixi. Fazer xixi tornou-se numa argumentação tão forte que, aos pais, resta aceder. Ou isso, ou a possibilidade de mudar-lhe a roupa toda quando não tem fralda e voltar atrás no treino do esfíncter.

Ainda hoje de manhã. Três vezes “tenho xixi” e todas elas falso alarme. Tenho de lhe contar a história do Pedro e do lobo.

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A história do cubo amarelo

Já fez um mês que o JR foi para o infantário. E dá-se bem: ele gosta de lá andar e as educadoras dizem maravilhas dele, o que deixa sempre um pai babado. Isso é que interessa. Ontem, uma delas, contou um episódio (aliás, percebemos a atenção que os educadores dão às crianças, quando nos contam as histórias que se passam com elas).

Explica a educadora que andam a ensinar a cores às crianças: em cada dia, uma cor. O JR já as conhece, assim como conhece as letras e os números os as formas geométricas (círculo, triângulo e quadrado). Ontem foi o dia do amarelo (a preferida do pai, desde que não seja na sua versão pura). E um dos jogos de aprendizagem que fizeram foi pôr as crianças a ir a uma mesa buscar um objecto da cor aprendida. Por cada objecto, perguntavam a cada criança:

— O que tens na mão?
Invariavelmente respondiam:
— Amarelo.

Quando chegou a vez do JR, vem a pergunta:
— O que tens na mão ?
Responde o garoto:
— Um cubo amarelo.

E, oficialmente, — para espanto das educadoras — o JR fica a saber os sólidos geométricos (se bem que conheça apenas o cubo e a “bola”).

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bom chefe de família

Nem sei porquê, mas hoje é um daqueles dias em que parece que as coisas não funcionam. Acorda-se com uma estranha sensação de que a ordem natural das coisas se inverteu, que houve um apagão, que o céu nos caíu em cima como uma chuveirada.

Posto isto, só tenho de arranjar uma espécie de bode respiratório para acalmar a minha tormenta.

O jr está a ficar inteligente. Sim, inteligente e esperto que nem um alho. Não daqueles chochos. Um dos sinais disso mesmo é que, tão novo, consegue distinguir o que é bom do que é mau. Por exemplo, identifica sem a mínima dificuldade, os emblemas dos três clubes com mais títulos em Portugal (essa história dos três grandes só cabe na cabeça de alguns; grande há só um). E sabe que o Benfica é fixe e que o Sporting e o Porto são blherc. É isto o que se diz ter as ideias bem arrumadinhas na cabeça.

A agora um diálogo que já começa a ser habitual:

– Jr, não agarres isso! Não presta!
E responde ele: – É sportíngue!

(Depois contei-lhe aquela piadita: sabes como é um café à sporting? Fraquinho, muito fraquinho.)

Outro exemplo:

– Jr, não ponhas isso na boca! Não sejas porco!
E responde ele: – É pôto!

E agora que exorcizei os fantasmas da minha segunda-feira pós-traumática, espero que não me apaguem a luz nem me corram à chuveirada.

 

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ânsias

Primeiro dia do jr no infantário. A mãe preocupadíssima de há uma semana a esta parte (como é normal e natural, pelas estatísticas que fui recolhendo), e o petiz a passar um dia em cheio sem problemas nenhuns. Ganda puto! Deves sair pouco ao pai, deves…

Agora, sem nada a ver. A caminho do infantário, sai-se ele com esta:

– Óculos de sol! – em sotaque joanês, claro. Fomos a ver, e o dia estival estava a oferecer-lhe o sol com raios a bater na cara.

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Leitura em dia

O garoto não pára de me surpreender. Ontem, foi a história de sempre para o pôr a dormir. Lavamos os dentes e deitamo-lo e ele nem reclama nem nada. Mas, mal passam cinco minutinhos, lá está ele agarrado à grade a chamar pela gente que está cá em baixo no rés-do-chão a pôr a televisão em dia. Um de nós, à vez, vai lá. Calha-me a mim:

– Jr, para a cama, vá! – E ele vai, sem esforço nem lamúrias. Parece que é mesmo só para embirrar. E murmura qualquer coisa que acaba em ão que eu penso ser aranhão, sei lá. Acabo por entender que quer o livro do Rei Leão que o ponho deitado ao lado dele.

– O Rei Leão também tem sono, não o acordes!

Tem sono, o tanas! Mais cinco minutos, e ouvimos de novo movimentações no quarto do jr. O costume. E lá vou eu. O cenário é, digamos, surpreendente: a luz do quarto estava acesa; foi ele quem a acendeu. Já ele, estava deitado e acachado, a segurar o livro aberto à sua frente, como quem faz a sua leitura antes de adormecer.

– Jr, lês o resto amanhã, que agora tens de ir dormir para acordares bem disposto e brincares muito com os teus amigos, está bem?

– Tá bem. – responde ele. E desta vez adormeceu de vez.

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geocacherzito

O JR é oficiosamente um geocacher com jeito para ser spoiler. Porquê? Talvez isto ajude a explicar:

Desta feita, a saída para esta multicache foi feita na companhia da minha cria. Assim, a dúzia vai ficar marcada pelo geobaptismo do JR. Não é que isso lhe diga muito, mas garanto-vos que a companhia de uma criança de 2 anos torna a aventura mais, digamos, aventureira. É como estar à procura do burro de olho no cigano. O móbil até era jeitoso: vamos ver os aviões! Todavia, tenho para mim que ver aviões parados não é das coisas que lhe agrade mais ver. De qualquer forma, captei a atenção dele por uns instantes. O pior foi ver que o interesse dele estava era focado no gps:

– esquêda! esquêda! – Que, para quem não sabe, é como ele designa o aparelho e não tem nada a ver com opções partidárias. E dá-lhe esse estranho nome pela simples razão de que, na primeira vez que assistiu à sua utilização, era essa a palavra de ordem do aparelho.

Apesar dessas peripécias, lá consegui resolver o primeiro enigma. Estava difícil, por a minha atenção estar focada no JR, mas lá consegui. Bem esgalhada.

No nível zero da cache propriamente dita, as coisas também não estiveram fáceis. Basicamente, foi um déja vu da primeira cena. Encontrada a cache, foi fazer o log. Estive para tirar uma das swags para o JR., mas quando ele me vê a agarrar no travel bug para o colocar no recipiente… digamos que ainda não foi desta que dei andamento à viagem do bicho. Mas foi uma questão de horas. Sim, porque numa paragem posterior para o cafézito da manhã, o garoto fez-me o favor de deixar otrackable por lá sem que eu me apercebesse. Mais tarde voltei a procurar o item e, aí sim, ele pôde continuar a sua viagem.

 

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