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Fonte Santo Amaro

fonte santo amaro#143, 09-12-2012 @17:18 GL9XEK8J

Em deslocação à Ortigosa para tratar de assuntos natalícios que têm a ver com um casal de quem somos amigos secretos – agora, não esqueçam, e vão dar com a língua nos dentes e desmanchar a surpresa – havia de fazer a visita à fonte de santo Amaro.

Pelo meio do percurso, ainda deu tempo para ser ligeiramente abocanhado por dois caninos que teimavam em chatear-me. Apesar dos esforços do que eu penso ser o dono em enxotá-los, tive de me apear do velocípede e dar-lhes uma rabecada, que aquilo não era coisa que se fizesse a um visitante.

O local da fonte já é sobejamente conhecido. O mesmo não posso dizer do parque infantil das traseiras, que ignorava completamente a sua existência. Já tinha passado muitas vezes ao lado da fonte e visto gente abastecer-se da água que lá corre. Desta vez, calhou-me a mim provar daquele líquido. Bem bom, diga-se.

Já a cache, apesar do ligeiro desvio indicado pela bússola, não tardou em aparecer. É daquelas que, de tão à vista, passam despercebidas. E dessas gosto eu. Lá deixei o autocolantezinho da praxe e regressei pelo mesmo caminho.

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Rotunda e Talefe

VG BoavistaLogo de manhãzinha – nesta altura do ano, às 9h00 de domingo é quase madrugada… – e devidamente aperaltado, lá sigo para mais uma pedalada. Desta vez, tinha companhia. Aliás, se não fosse o meu irmão, certamente, ao ver os campos cobertos do branco da geada, teria desistido de trocar o quentinho da cama pela vento frio que apanharia na primeira parte do percurso.

#141, 02-12-2012 @09:49 GC39CQ9

O primeiro destino seria a rotunda José Gregório, onde estacionámos os nossos velocípedes e actualizámos as informações acerca da caixinha. De facto, era tão caixinha que demorou a aparecer. Registos anteriores bem chamaram a atenção: ela passa-nos nas mãos mas, de tão discreta e minúscula, temos de rever tudo de novo para darmos com os olhos nela. Foi o que aconteceu. Mesmo para retirar o livrinho, tão bem aconchegado no seu casulo, foi necessário recorrer a ferramentas suplementares: mãos de homem, não o conseguem fazer sozinhas.

#142, 02-12-2012 @10:01 GC3RCZB

O segundo ponto da nossa viagem, fixou-se logo no local, de onde se avistava a torre de vigia junto à escola. Chegados, e ufano das minhas certezas relativamente ao ninho da cache, acabei por bater com o nariz na porta. Afinal, a interpretação que fiz da fotografia “spoiler” revelou-se desastrada. Só lá para a quarta tentativa é que, finalmente, demos com ela. Estava molhadinho, o pobre coitado. Falo do livro, pois o seu receptáculo, precisa de ser reformado.

O terceiro ponto seria a fonte da Albergaria. Após uma visita ao presépio da Comeira para cumprir o “challenge” proposto pelo parceiro de viagem, chegámos ao primeiro ponto. Desnecessariamente, diga-se, já que o meu irmão tinha na sua posse o que julgamos ser as coordenadas finais. Digo, julgamos, porque a busca redundou num fracasso pelo que leva uma careta azul. Ficará a aguardar novas investidas da nossa parte

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Amo-te Leiria!

#140, 22-11-2012 @18:05 GC3AAW2

Aprendi a gostar de Leiria há muitos anos, ainda criança. Com onze anos, vi-me fora de casa dos meus pais para me formar, em regime de internato, numa instituição da cidade contígua a essa grande artéria em que se tornou a Marquês de Pombal. Da janela do meu quarto via o castelo e, com o passar dos anos, o betão alterou o cenário, tal como a vida deu de voltas que me pôs a trabalhar na mesma casa que me acolheu com tão tenra idade.

Falava eu do betão e lembro-me das patifarias que a nossa cidade foi sofrendo, desmesuradamente, com prédios a ocuparem tudo quanto fosse espaço, por muito exíguo que estivesse. Ouvia falar de corredores camarários e de envelopes passados à socapa debaixo da mesa de edis e seus assessores. Apesar disso me enojar, disso a cidade não tinha a mais leve culpa.

O castelo lá permanecia altaneiro, como quem diz: podem tapar-me de todos os lados, mas daqui não me arrancam. E se ele, independentemente de governantes néscios que assumem as rédeas dos fantoches, conseguiu a minha simpatia de forma tão poderosa, que dizer do Lis que banha os arrabaldes. Triste navega pela cidade, porque os homens fizeram dele uma coisa escura que, só de cheirar, passou a encontrar repugnância em quem gostava de apreciar as águas que alimentavam as sombras do arvoredo que a circundavam.

Isso acabou. Mais tarde ou mais cedo, o homem, esse bicho inconsciencioso, dá-se conta das asneiras que vai fazendo despudoradamente. Resta fazer figas para que não se dê conta disso, já tarde. Os últimos anos parecem ter criado alguma contrição que fez virar a atenção dos que mandam pelo que é mais importante.

Apesar de algumas façanhas irremediáveis, a orla do rio e, por consequente, a própria cidade, começou a ganhar uma outra vida. Simples, é certo, mas com muito mais carácter. Se outrora, as gentes fugiam dele, hoje o Lis começa a ser de novo o que mereceu sempre sê-lo: o protagonista humilde da urbe.

Muito mais havia a dizer sobre a cidade que já palmilhei vezes sem conta, mas vou-me ficar apenas por aqui, neste recanto que homens reconstruiram recentemente e que alberga declarações de amor. Há muito que já era para tê-lo feito. Hoje foi o dia, já noite feito, porque é de noite que o coração é mais atrevido. É à luz da lua que ele mais facilmente se abre, às escondidas dos transeuntes e se declara aos nossos sentimentos.

E ele, ali, à vista de todos, arriscando transformar-se na pedra que o aloja, e tão escondido à espera que alguém lhe pegue com as mãos do afecto.

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A Ponte sem rio

#139, 14-11-2012 @18:16 GC2M6B8

Num dia em que tantos gandulos se deslocaram à capital para estragar o trabalho dos calceteiros junto à assembleia da república, eu dei por mim a caminho de casa, não sem antes passar pelo centro da cidade para fazer mais uma caixita. Nos meus planos, estava a “Rodrigues Lobo”. Quis a sorte que, apesar de noite, por ali andasse gente trabalhadora a renovar o espaço que, tenho para mim, dá razão à dica. Não demorei muito a dar a volta. Entretanto, coscuvilho as que tenho registadas no meu telemóvel e dou de caras com uma que se me anda atravessada no gasganete.

A “ponte sem rio” já tinha sido anteriormente alvo de investidas da minha parte. Todas sem sucesso: ora por aselhice minha, ora por contingências que naturalmente envolvem esta actividade, tais como desactivações e alterações de coordenadas. A ter tido sucesso, ela estaria, garantidamente, no lote que inclui a primeira vintena de caches encontradas. Não calhou e aconteceu hoje.

Chegado ao local, nem preciso de gps. Se fosse preciso, encontrá-la-ia de olhos fechados por já reconhecer os orifícios do monumento que, lembro-me, foi desenterrado do que era outrora a “gráfica de leiria” e o antigo paço episcopal. Ali estava ela, era só puxar e assinar. Foi o que fiz para depois continuar o meu caminho até casa.
A ponte lá continuará, intacta e, na maior parte das vezes, despercebida. Alguns questionarão o esconderijo da dita… mas em tanto lado encontramos gente maldizente a quem a inveja consegue toldar o discernimento. Basta dizer que nem precisam de tocar na ponte para se cumprir este passatempo de procurar caixinhas.

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Fonte Quente

#138, 31-10-2012 @18:39 GC2R66X

Com a mudança da hora, as noites chegam mais cedo. Isto obriga-me a repensar as minhas rotinas. Na hora de verão, chego a casa, mudo de roupa e vou dar uma volta de bicicleta… quando tenho tempo para isso, que esta vida não se compadece com os nossos horários. Agora, que estamos na hora de inverno, parece que o tempo começa a escassear: meia hora para chegar a casa, mais quase outro tanto para me preparar para a saída, não dá com nada. E o que fazemos quando isso acontece: adaptamo-nos.

Todos os dias vou para o trabalho com a minha cara-metade. Tenho essa sorte que é uma espécie de dois em um: poupo em combustível e ainda vou com a companhia da minha preferência. Daí que tenha sido fácil decidir: agora, na ida para o trabalho, levamos uma terceira companhia, a minha bicicleta. E à noite, regresso a casa em cima dela, da bicicleta, entenda-se. E assim, já dá para aproveitar a meia hora de viagem de regresso a casa.

Foi no segundo regresso a casa que fiz a paragem na fonte quente (este nome, eu apenas associava àquela fonte que está ali perto do jardim do avião…). Como era escura, duvidada que fosse bem sucedido. O próprio local não é iluminado o que me fez socorrer da iluminação do velocípede. Valeu que, o gps indicou o ponto zero com uma quase precisão milimétrica pelo que não demorou muito até encontrar a minha pretensão. Sem contar com o estranho cheiro que por ali paira e que me obrigou a verificar a sola do calçado, a cache foi de baixo grau de dificuldade o que, dadas as circunstâncias, vem mesmo a calhar.

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Lazer à Beira-rio, VO2 max e Grafitis

#135, 28-10-2012 @09:38 GC36R3W
#136, 28-10-2012 @09:59 GC3D544
#137, 28-10-2012 @10:44 GC3JDRZ

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Na saída de hoje, tinha programado como primeiro destino, uma visita ali à filarmónica dos Marrazes. A meio do caminho, no entanto, decidi mudar de planos: vou até à casa do clã dinis-costa aborrecê-los um pouco.

Chegado aí, não seriam ainda 9h30 da matina, lá vai um buzinadela para o segundo esquerdo.

– Vá toca a levantar para ir dar uma volta!

Nesta noite, tinha mudado a hora, pelo que o relógio biológico devia apontar para as 8h30 o que, a um domingo, é hora a que muito boa gente se vai deitando. Pela resposta, parecia o mesmo:

– rsrrsrrsrsr… – Não percebi rigorosamente nada, mas insisti:

– Vá, veste-te depressa! Não posso arrefecer – No meio de algumas palavras balbuciadas, lá percebi que não estava muito virado para aqui. Parece que tinha a roupa a lavar e eu faço de conta que acredito. Vamos em frente que nesta capela ninguém me acode.

O primeiro ponto seria de “lazer à beira-rio” onde, meses antes, havia outra caixita. Meio agachado, lá procurei nos orifícios debaixo da ponte – que eram muitos – e alguns minutos depois estava o registo feito, com a discrição necessária para o local.

Vamos lá ver a próxima da lista… “VO2 max – Sentes-te em forma?”. Ui esta é certificada pela GM inc., razão de sobeja para não pensar duas vezes. Pelo grau de dificuldade relativamente ao terreno, apercebi-me logo de que teria de carrgar com a bicicleta às costas. E, de facto, assim foi: chegado ao início do íngreme trilho, no lugar de ser ela a carregar-me, seria vice versa. Com cuidadinho tudo se faz: só tinha de ter particular atenção ao piso, não fosse fazer sku por ali abaixo.

No ponto zero, ainda andei ali às aranhas: a verdade é que a camuflagem do tesourinho fá-lo passar despercebido, como convém. Alguns minutos depois, e largado a maquineta das coordenadas, lá a encontrei, a outra maquineta, bem menos sofisticada, mas bem mais curiosa e surpreendente. Fiz o teste com sucesso e aquilo até parecia uma caixinha de surpresas, com direito a bolinha laranja e tudo. E para acabar em beleza, até tive direito ao bate-cu da praxe, mesmo em cima de um maduríssimo medronho que me deixou marca no sim senhor.

No regresso, o caminho seria bem mais fácil, a descer por estrada. Como a próxima investida seria aos “GRAFÍTIS”, ainda passaria mais uma vez pela casa do clã dinis-costa. Só para chatear. Agora, sim, já se percebia qualquer coisa do inquilino que até se dignou descer cá abaixo e dar a mesma tampa:

– Tenho a roupa suja de ontem ter andado no meio do mato.

Siga para a casa abandonada. É um lugar estranho que até o gps parece não gostar. Salvam-se as obras de arte aí patentes já que o receio de haver inquilinos no lugar é bem grande. Depois de uma breve busca, a leitura dos logs levou-me para o andar superior. Parecia destinada ao insucesso. Porém, insisti na leitura de novos logs que me deram uma certeza: estava no piso térreo e, pela imagem da descrição, naquela divisão. Confirmou-se: tão descarada que ela estava ali sempre vigiada pela presença daquele amigo de olhos tristes.

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Parque do engenho

#134, 22-10-2012 @19:27 GC2JT4Y

Há momentos em que o que fazemos nos deixa orgulhosos. E hoje foi um desses. Não foi nada de especial, mas se por acaso, isso contagiar uma pessoa que seja, então terá valido a pena. O geocaching oferece tantas oportunidades para isso e, paradoxalmente, os exemplos são tão escassos.

Quando cheguei ao destino do parque do engenho, já era noite e temia o insucesso. Afinal de contas, sem a luz natural, as coisas ficam complicadas. Ainda estava a aquecer o gps para encontrar o ponto zero e vejo aproximar um indivíduo que aparentava ter uns 60 anos.

– Não deve ser geocacher. – Pensei. E o que disse a seguir, confirmou que não precisa de ser geocacher para ser prestável nesta coisa de procurar taparuéres.

– É para aquilo do gps, pois é? – Questionou.

– É, é.

– Então é aquela… – O que disse a seguir, a decência impede-mo de o transcrever. Não porque o conteúdo fosse vernacular, que não o era, mas por ir estragar a surpresa aos que, no futuro, viessem a procurar a dita cuja.

– Olha, pois! Muito boa!

– Ela dantes estava ali. – E aponta para um local que fiquei sem saber onde era. De qualquer forma agradeci e ele retirou-se sem mais nada a dizer.

Lá desenrosquei a tampa que acolhia no seu interior o minúsculo, deteriorado e apinhado livrinho de registos. Apesar das instruções do dono para não colar autocolantes, fiz olhos de mercador e colei o meu também minúsculo autocolante exactamente em cima da… “stashnote”. Que me desculpem, mas os apartados estavam todos ocupados.

Mas não fiquei contente com o estado do livro. Muito provavelmente, a virem mais colegas ao local, ele, o livro, acabará por perder-se em pedacinhos. E esta cache não o merece. Lembrei-me então de que tinha uma micro magnética na minha bicicleta. Vai daí, não é tarde nem é cedo, e aproveitei o livro que continha para fazer companhia ao da cache. Foi a maneira que arranjei para agradecer aquele excelente momento de geocaching, com um recipiente tão bem camuflado.

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