#diário, artes

ser feliz a olhar para cima e espantar-se

— Gostava que visses! — É assim que, não raras vezes, terminamos uma narrativa para a qual não conseguimos arranjar palavras, as palavras certas, aquelas que levam o interlocutor a ver o mesmo que nós vimos.

A visitar Roma, experimentamos esta sensação no regresso. A sua monumentalidade é qualquer coisa de fascinante. Arregala-nos todos os sentidos e deixa-nos com aquela insatisfação que nos faz desejar voltar e ficar ainda mais tempo, o tempo suficiente para nos deliciarmo-nos com cada pormenor, cada tom de cor, cada toque de cinzel.

Da cidade eterna, há paradigmas dessa monumentalidade que nos vêm logo à mente: a Basílica de São Pedro, a Capela Sistina, a fonte de Trevi (?) e o Coliseu. Todavia, não menosprezando estes três exemplos, o que me deixou mais com a boca aberta de espanto, foram os tectos de duas igrejas, no meio das 800 que Roma tem. Deixo aqui uma, a primeira da cronologia da visita: a Chiesa del Gesù.

Assim que entramos no edifício, qualquer coisa nos obriga a olhar para cima, num exemplo claro de como a arte tem uma imanente presença do Divino. E experimentem olhar para cima, na vertical: por imperativo fisiológico, não temos outro remédio que não ficarmos de boca aberta. E aconteceu. Lembro-me, como se fosse agora, de que a primeira coisa que vi foi uma nuvem suspensa no ar, da qual se dependuravam, muito etereamente, algumas personagens. (ver a imagem que serve de destaque a este post). Seria apenas um pequeno pormenor que me obrigaria a uma exclamativa incursão por todo o tecto do edifício de que a imagem seguinte revela a nave principal.

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Voltando à nuvem, o pormenor que me deixou espantado foi, exactamente, a sua aparente tridimensionalidade. Sim, APARENTE; porque estamos a falar de uma vulgar abóbada cilíndrica completamente lisa, apenas recortada pelo alto relevo dos elementos em talha dourada. E confesso que ainda hoje terei algumas dúvidas de que a dita talha seja mesmo em alto relevo e não uma simples e ilusória pintura como os restantes frescos da igreja. O artista — Giovan Battista Gaulli — não deixou os seus créditos por pincéis alheios e criou qualquer coisa de fantástico e sublime, dando-se ao trabalho de escurecer determinadas zonas da película dourada, criando aquele efeito assombroso.

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Essa técnica, conjugada com o facto da pintura sair dos espaços definidos pelas molduras, está presente em todo edifício.

Repare-se no escurecimento de um pormenor escultórico:

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E, agora, digam lá se é evidente que aqueles elementos são, de facto, esculturas. Não serão pinturas, tal como os restantes?

Depois desta visita, acrescentei mais um ponto à minha wishlist: fotografar cada rosto daquela imensa obra de arte. Por agora, apenas vos convido a observá-la mais em pormenor através destas fotografias que vos disponho.

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