#maufeitio

pastoral olfactiva? não me cheira.

O motivo desta reflexão, conta-se em poucas palavras. Passei a manhã num edifício da Diocese onde se realizam inúmeras actividades de cariz religioso e pastoral. Estava lá, como normalmente, em trabalho. A dado momento, ao atravessar um corredor, passo pela entrada de uma sala que, na altura estava a ser usada por um grupo. Nada de novo aqui, a não ser um pormenor que me chamou a atenção: o cheiro que dali emanava. Um odor com um misto de flores com prazo de validade ultrapassado e madeira velha e bafienta. Não era agradável, antes pelo contrário.

Isto foi o suficiente para me fazer despertar algumas considerações à volta dos sentidos e das suas implicações na pastoral.

Comummente, damos mais importância a dois canais de informação, a saber: visão e audição. Inversamente, é notório o desprezo a que se votam os restantes sentidos, nomeadamente o do olfacto. E não será descabido perceber que essa indiferença tem consequências negativas na actividade pastoral da Igreja.

Concretizemos. Ao entrarmos num espaço com um odor desagradável, o normal será termos vontade de estar ali o menor tempo possível. E os espaços fechados, pouco zelados e com humidades, são locais potenciadores deste tipo de cheiros. É frequente entramos numa igreja e sentirmos aquele tão típico aroma a mofo, bafio e humidade. Com toda a certeza, não houve o cuidado de arejar e deixar entrar a luz. Digo uma igreja, mas poderia também referir uma sala de catequese ou de reuniões num qualquer centro pastoral.

Agora, façamos a ligação entre esta situação recorrente e aquela afirmação que toda a gente conhece: a Igreja tem cada vez menos jovens. Independentemente de ser verdade ou não, esta constatação não será também uma consequência da falta de sensibilidade dos agentes de pastoral para o cuidado que devem ter com os espaços e os cheiros que deles emanam? Vamos ainda mais longe: este real cheiro bafiento, não será uma expressão física da maneira como a Igreja – os cristãos – se apresenta às pessoas? E isto é, no mínimo, estranho quando, no léxico litúrgico, celebrativo e pastoral, existem palavras fortes, tais como: luz, sopro, ar, porta, janela, etc… Não é preciso procurar muito no evangelho, para encontrar estas referências, tal a sua importância.

Torna-se, então, evidente o desajuste entre a mensagem e a forma. Por um lado, temos uma Igreja que diz ser o caminho para a Luz, que abre as portas a todas as pessoas. Todavia, logo a seguir, fecha as mesmas portas para que ninguém saia, e as janelas, não vá o sol cegar. E ainda recheiam os edifícios até à exaustão com flores, que mais não fazem do que ir apodrecendo lentamente, deixando no ar um aroma putrefacto e húmido.

Se não arejamos a nossa casa, não vamos culpar as pessoas de não quererem entrar? Ou vamos?

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