#134, 22-10-2012 @19:27 GC2JT4Y
Há momentos em que o que fazemos nos deixa orgulhosos. E hoje foi um desses. Não foi nada de especial, mas se por acaso, isso contagiar uma pessoa que seja, então terá valido a pena. O geocaching oferece tantas oportunidades para isso e, paradoxalmente, os exemplos são tão escassos.
Quando cheguei ao destino do parque do engenho, já era noite e temia o insucesso. Afinal de contas, sem a luz natural, as coisas ficam complicadas. Ainda estava a aquecer o gps para encontrar o ponto zero e vejo aproximar um indivíduo que aparentava ter uns 60 anos.
– Não deve ser geocacher. – Pensei. E o que disse a seguir, confirmou que não precisa de ser geocacher para ser prestável nesta coisa de procurar taparuéres.
– É para aquilo do gps, pois é? – Questionou.
– É, é.
– Então é aquela… – O que disse a seguir, a decência impede-mo de o transcrever. Não porque o conteúdo fosse vernacular, que não o era, mas por ir estragar a surpresa aos que, no futuro, viessem a procurar a dita cuja.
– Olha, pois! Muito boa!
– Ela dantes estava ali. – E aponta para um local que fiquei sem saber onde era. De qualquer forma agradeci e ele retirou-se sem mais nada a dizer.
Lá desenrosquei a tampa que acolhia no seu interior o minúsculo, deteriorado e apinhado livrinho de registos. Apesar das instruções do dono para não colar autocolantes, fiz olhos de mercador e colei o meu também minúsculo autocolante exactamente em cima da… “stashnote”. Que me desculpem, mas os apartados estavam todos ocupados.
Mas não fiquei contente com o estado do livro. Muito provavelmente, a virem mais colegas ao local, ele, o livro, acabará por perder-se em pedacinhos. E esta cache não o merece. Lembrei-me então de que tinha uma micro magnética na minha bicicleta. Vai daí, não é tarde nem é cedo, e aproveitei o livro que continha para fazer companhia ao da cache. Foi a maneira que arranjei para agradecer aquele excelente momento de geocaching, com um recipiente tão bem camuflado.