O jr tem 3 anos, mas, como se costume dizer, sabe-a toda. Nos últimos meses, todas as noites dos últimos meses, tem frequentado a nossa cama. Ora, porque faz birra a deitar-se e nós deixamo-lo dormir connosco, ora porque a meio da noite, lá pelas duas da matina, abandona o leito que é dele para se fazer intruso no nosso. Temos deixado, a bem do nosso descanso. Descanso… é uma maneira de dizer, já que com ele entre nós os dois, não há descanso possível, pelo menos no que me diz respeito: há noites em que me consegue deixar completamente KO com um senhor pontapé nos tintins. E ainda esta semana tive que mudar de posto para conseguir pôr um pouco do sono em dia.
E há outra coisa que o jr gosta, muito, digo, muuuuito: dinossauros. Ele é brachiossauros, ele é pteranodons, ele é stegossauros, ele é triceratops, ele é parassaurolophus, ele é anchilossauros, e assim por diante, que a lista se torna fastidiosa. Não há vez nenhuma em que vamos ao centro comercial em que ele não exija parar no expositor de dinossaurus. Até o livro sobre os ditos cujos está coberto de remendos, tal é o uso que ele lhe dá.
Posto isto, lá acedi, foi mais forte do que eu:
– Jr, sabes, aquele dinossauro que tem aquela barbatana nas costas.
– O spinossauros.
– Pois, gostavas de ter um… mas tens de o merecer, e para o mereceres, tens de dormir a noite inteira na tua cama. Tu é grande e não precisas de companhia.
– Está bem, pai.
O que é certo é que na noite seguinte – a noite passada – passou-a inteirinha na cama dele. E cumpriu a promessa tão à risca que, lá do quarto dele, chamou a mãe para ajeitar os lençóis.
Hoje de manhã, fui acordá-lo e dar-lhe os parabéns por isso. As suas primeiras palavras do dia foram:
– O dinossauro?