Infelizmente, as coisas não são bem assim: o que chamamos, progresso, ou civilização, ou sei lá, transformaram-no numa personagem turva, lodada e lamacenta. E isso faz-me ter saudades dum tempo que nunca experimentei. E amaldiçoar os que, na ânsia de ganhar sempre mais, fazem do rio o recipiente preferidos dos seus dejectos. Tarde de mais para lhe devolver a vida anterior? Não sei, mas bem gostaria que não.
Ainda assim, na minha pedalada, vou apreciando o que é possível e que ainda existe, enquanto não me chega a hora de apanhar o comboio. Chegado ao cais, livro-me do meu veículo, e começo a busca por onde andam outros bem maiores. O ponto zero dá-me ali no meio da cimentada plataforma, onde nada existe mas que insisto em procurar. Aparece alguém que não se identifica:
– Está mais para ali. Não é fácil. – Diz ao longe.
– Pois, aí ainda não procurei, mas é para onde vou a seguir, obrigado. – E o meu olhar virou-se para o caramujo e lá desvendou o que interessava. Fosse ali o ponto zero e as coisas teriam sido bem mais rápidas.
No regresso, tento apanhar o progenitor que passeia com as suas duas crias. Faço a ultrapassagem no exacto momento em que me lembro da protecção ocular esquecida no cais. Vai de voltar para trás e bem rápido que deve haver ainda tempo para fazer dezena que faltava dos trilhos do Lis. Esta sim, com a dica que não deixa margem para dúvidas, faz-se enquanto o diabo esfrega um olho.
No regresso, desta vez por trilho diferente e, em parte, desconhecido, lá voltam de novo as cogitações: quem dera que voltasse a ser o que era o Lis de antanho…