Este ano não esperava ter férias longe de casa. Dizem que há por aí uma crise do catano que nos corta as pernas e os braços e sei lá que mais. Digo que dizem, porque não vejo assim com olhos de ver, que é como quem diz: continuo a ver gente aos magotes a correr para os algarves e restaurantes à pinha de gente à espera de arroz de marisco. Eu, por mim, continuo na minha: poupo o que posso que um dia vai dar-me jeito.
E calhou espreitar uma promoção nesse mundo virtual que me levou até às praias de Peniche. E ficou, como se quer, barata a feira que até as refeições do pingo doce vieram mesmo a calhar. E foram cinco dias de ventania aproveitados para procurar uns tesouritos na zona que, na parte que me toca ainda continuavam por desvirginar. A ventania, resolvemo-la com uma piscina interior que veio mesmo a calhar. As caches, resolvemos algumas e já não foi mau.
A primeira investida (GC2WFMV #106), estava mesmo ali junto do hotel. Tirando o pormenor de ser uma multi, o que obriga a uma maior demora por causa das contagens, das contas e da actualização de coordenadas, até correu bastante bem. Estava de boa saúde e até parecia uma daquelas que tenho ao pé de casa.
Portanto, vamos já para a próxima (GC14VBZ #107) e aproveitar para conhecer o parque que a acolhe, ali mesmo à beirinha da IP. Esta também não estava fácil. Depois de vasculhar a copa de duas ou três residentes do parque, achei redondinha e tão à vista que até tive pena de mim. Mas precisa de manutenção que, está um bocado para o apertado. Siga.
Aqui (GC2WAH1), à terceira, foi de vez: nada feito. Eu bem esgaravatei por tudo quanto era sítio, mas nada. Assim sendo, temos de resolver este amargo de boca com mais uma (GC2CFT5 #108). E ainda bem. Já fazia falta um taparuére bem fácil, daqueles que é chegar e registar e ainda poder ter tempo para apreciar a paisagem.
A próxima (GC398VP #109) levou-me para dentro de Peniche, estacionei a uns 100 metros do ponto zero e quando chego ao local, temo o pior: o jardineiro estava em plena faina e ainda havia umas teenagers a ocupar um dos bancos. Lá subi a medo escadaria que dá acesso ao que eu confirmaria ser uma mãozinha. Como os meus “cúmplices” estavam distraídos, sentei-me a fazer o registo como que aprecia o jardim envolvente. E por hoje chega, que a família já espera por mim para arrumar a tralha da praia mesmo em frente ao hotel.
No dia seguinte tive uma companhia inesperada: o sogro andava mal das costas pelo que sugeri que viesse “cachar” comigo. Acedeu, porque a enfermidade passageira aturava-se melhor sentado no banco do carro, onde acabou por ficar o tempo todo enquanto eu descobria novos tesourinhos. E partimos em direcção ao Baleal (GCW5H3 #110) onde, depois de atravessar a exígua estrada que une aquela península ao continente, lá estacionei onde não devia por imaginar que a coisa se fazia depressa. A primeira foi rápida.
A segunda (GC1EPZG #111), levou um pouco mais de tempo, porque entre tentar responder às questões levantadas pelo dono e as fotografias da praxe, há sempre aquele compasso de espera para apreciar o que a mãe natureza nos oferece.
No regresso (GC2DX12 #112) em sentido inverso, atrevi-me, mais uma vez a rejeitar o cumprimento do código da estrada e atravessar a ciclovia para estacionar à entrada da duna. Ainda bem que esta foi das mais fáceis até agora: assim não impedimos a passagem dos utentes da mini-estrada.
E depois? Bem, depois, pelo menos para o segundo dia, não há muito para contar. Dois insucesso de uma penada. O primeiro (GC2Y5A0), apesar do mistério ter sido bem resolvido, não encontrei nada no local que também não tinha atractivos para a visita. Já o segundo (GC14VBT), uma multi que me fez andar à nora à hora mais estival e com um susto canino pelo meio, deixou-me um amargo de boca por três razões: contas e mais contas, uma dica que ainda ajuda a complicar mais e um log estranho de alguém que mudou o local da cache porque não batia certo com as coordenadas. Grrrr… Chega por hoje.
O terceiro dia de aventura, também teve a companhia do sogro, e resultou no dia mais produtivo em termos de maravilhas da natureza. A primeira (GC2WYX8 #113) obrigou-me a uma escalada que me fez rogar pragas à dica: se aquilo são dois metros, eu tenho um metro de altura. Mas fez-se, apesar de ainda ter tentado desistir dos meus intentos.
A segunda (GC243K8 #114), mais uma “earthcache” maravilhosa, deixou-me de boca aberta e com pena de não ter estado mais tempo. Tive dúvidas na interpretação das perguntas e as respostas sofreram as consequências. Valeram os postais que guardo para a posteridade.
No regresso ao carro, reparo que havia uma outra a seguir (GCX69C #115) que me obrigou a calcorrear de novo o carreiro que me levava à Papoa. Nesta também andei um pouco à nora: as dicas às vezes têm mistérios insondáveis, mas com um pouco mais de atenção e alargando a área de buscas, acabamos por conseguir os nossas intentos.
E tudo está bem quando acaba… mal. Sim, porque a última desta aventura (GC14VBQ) ficaria por encontrar. Tanto buraquinho nas pedras e tão pouco tempo para procurar, só podia redundar num fracasso.
E deixamos Peniche com aquela sensação de que há ainda tantas caches e tão boas por desvendar.