Podia começar a crónica desta caixa com a letra daquela música que agora se canta muito e que se apropria ao momento:
“Anda comigo ver os aviões
Teleguiados
Com rádio-comando
E no caminho feito aos repelões
Vou pedalando…
A cache fica ali!”
Mas não o vou fazer. O dia foi trabalhoso, passei a tarde de quatro horas a fazer doze entrevistas a candidatos para um curso de aprendizagem e estou com as minhas sinapses todas assadinhas de tanto as fazer correr de um lado para outro. Por isso, enquanto passo o halibute por elas, esperem sentados qualquer sinal de fantasia amorosa a minha parte.
O sítio a que me leva a bicicleta hoje, é sítio onde passo todos os dias. De carro. E às vezes até vejo aviões. Nada de novo, portanto.
Foi chegar, activar o radar e procurar.
– O ponto zero é precisamente alé, com toda a certeza! – penso. Não havia árvores, o sinal parecia bom, logo, não havia dúvidas.
Logo à primeira, passo a mão no reflector que me cai no chão, perdido no meio das ervas daninhas que, nesta altura do ano, crescem que nem coelhinhos.
– E altas que elas estão! E picam, diabos! – Com a ajuda dos membros inferiores, lá derrubei algumas a fim de encontrar o objecto e o respectivo parafuso, e voltar a coloca-los no sítio, que assim é que deve ser.
Perscruto o aviãozinho. Nada. Seria um bom contentor, mas parece-me danificado. Não quero crer que alguém tenha vandalizado aquele pedaço de metal. E continuo as buscas.
Não encontro nada, nem mesmo no meio das ervas. A dica também não ajuda muito. Talvez esteja desactivada. Vamos confirmar…
Actualizada a descrição, verifico que não houve alterações.
Porém, há um registo que me chama a atenção: é preciso dar asas à imaginação. Ora, àquela miniatura de aeronave que se encontrava no poste do ponto zero, faltava-lhe precisamente as asas. Talvez se tenham perdido ali pelo meio. Procurei, mas nada. E ainda me piquei. E o que mais me irritava é que a maioria dos registo eram qualquer coisa do género: foi chegar e logar! Isso chateava-me. Não por a escrita ser lacónica, mas porque a alegada rapidez do gesto fazia-me ter uma ideia de mim pouco abonatória.
Não tenho outro remédio senão alargar as minhas buscas e experimentar o poste do outro lado.
– Olha, aqui está ela! – É dum gajo ficar enervado. Até mete espécie.
Efectivamente, esquecendo todas as peripécias à volta do poste que segura a cancela, foi… chegar e logar!
O Caliz, Clube de Aeromodelismo do Liz é uma Associação sem fins lucrativos, constituída no dia 15 de Maio de 2007, cujo objecto é o desenvolvimento da prática desportiva do aeromodelismo nas suas variadas áreas.A 6 de Fevereiro de 2008, foi homologada pela FPAm, a pista do Caliz situada nos Campos do Lis, Barosa, em Leiria, sendo o espaço considerado como local de voo apropriado à prática de aeromodelismo.No Caliz, poderá aprender a pilotar o seu modelo, sempre acompanhado de um instrutor, que lhe dará todas as explicações técnicas acerca do hobby.