Ainda pequenote, olhava para as lagoas que se criavam nos buracos das barreiras com aquela sensação de pena por não ter os dotes de nadador à altura. E invejava os meus colegas que se atreviam a lançar-se, destemidos, para as águas turvas. Ainda hoje, o sinto. Tudo o que seja água com mais de metro e meio de altura, é coisa para me deixar, digamos, de pé atrás. No entanto, sempre apreciei as paisagens deixadas por aquele tipo de pegadas ecológicas deixadas pelo homem.
No domingo de manhã, acordei com o dilema. A melhor pessoa para o resolver, foi a mulher:
– Vou andar de bicicleta ou vou para o quintal? – A segunda alternativa, consistia em continuar os trabalhos na cabana do Joãozito.
– Andar de bicicleta! – Foi a resposta imediata. E o destino estava traçado: a lagoa da saibreira.
Já lá tinha ido uma vez, no encalço da caixa que aí residia. Meio à pressa e com o lusco-fusco a toldar um pouco a visão e o discernimento, acabei por voltar a casa de mãos a abanar.
Desta vez, com mais tempo e a certeza da localização da área, as coisas seriam mais fáceis. Não fosse o pormenor de ter de andar à procura num local que apresenta um declive que, invariavelmente me obriga a ir acima e baixo umas quantas vezes até ao objectivo final. A arborização da zona também não ajudava à estabilização do gps e, vai daí, tive de alargar o raio de acção.
– Raio! ´Tá difícil. Concentra-te! – A segunda parte da dica era explícita, mas a primeira é que me andava aqui a confundir os neurónios. Mais uma daquelas que só se percebe quando encontramos a “cache”. Posicionei-me junto ao meu bólide para ter uma visão mais panorâmica e fui percorrendo com o olhar a paisagem.
– Ali! – Avistei aquele elemento natural deslocalizado que imediatamente fez luz na minha cabeça. Confirmou-se. Colado o autocolantezito, preparava-me para o regresso e aparece companhia.
– Deve vir ao mesmo! – pensei. E, de facto, vinha. Apresentámo-nos. Era o Cardicon. Trocámos impressões “geocachianas” e foi curioso saber que tínhamos em comum o facto das nossa mulheres não acharem muita piada ao passatempo.
– Bem, agora é hora de abalar que o almoço já deve estar quase pronto.
este local funcionou em tempos uma extração de areias e saibros. Nos invernos mais chuvosos as zonas baixas alagam e esta área transforma-se numa lagoa.