Esta demanda teve uma particularidade: foi o meu baptismo. Literalmente falando. E já vão ficar a saber por quê.
Desta vez, a minha costumeira saída, foi para os lados de Monte Real, onde habitam dois tesouros ainda por resolver. Se um deles ainda continua a ser uma espinha atravessada na minha garganta, este seria novo para mim.
O dia estava ventoso. Atravessar a estrada dos campos do Lis com ele a soprar contra mim, torna a jornada difícil. Além disso, as nuvens cinzentas que pairavam por cima e o abaixamento de temperatura não auguravam boa coisa. Mas não havia de ser umas condições climatéricas mais austeras a impedir-me de prosseguir.
A aproximação ao ponto zero também foi difícil. A idade não perdoa nas subidas íngremes, mas a motivação que me espreita no fim, torna-me mais forte. Chegados ao local, ou melhor, às redondezas, encosto o veículo à oliveira e, de gps na mão, aprimoro as buscas. Aponta para um local ali em baixo, uma espécie de gruta camuflada pela vegetação selvagem. Pensando melhor, o aparelho pretende-me levar para além da gruta. Sendo assim, terei de fazer uma prospecção mais cuidada do terreno e subir a ladeira que me leva ao topo do monte.
– Boa tarde!
– Boa tarde!
Tinha sido apenas um pequeno diálogo no cruzamento com um, pareceu-me, dos proprietários daqueles terrenos que se me atravessava no caminho de enxada ao ombro.
No topo da colina, toca de procurar. A dica não me dizia muito. Todavia, alertava para a paisagem que se estendia diante dos meus olhos, pelo que só podia ser ali. E se ela, a dica, diz para não me picar, o melhor é ter cuidado ali no meio do mato. (Agora, pensando melhor, ela faz todo o sentido: a melhor maneira para não me picar é não me meter nos picos, duh).
Ao procurar com mais atenção, o tesouro aparece facilmente. E tem qualquer coisa de evangélico, sobretudo naquela parte em que as pedras que se transformam em pão.
Deixado o autocolante e guardada a memória da paisagem em fotos, sigo no caminho de regresso.
– Ó diabo, vem aí borranha!
‘Tá de arrumar o gps no saco, que ainda tem de durar para muitas aventuras, e toca de acelerar a pedalada. A borranha transforma-se em chuva. E a chuva fez com que, em apenas um fôlego, eu chegasse a casa tão depressa como nunca tinha acontecido. E ensopado. E é tão bom tomar um banhinho de água quente depois daquilo…
Esta cache tem como objetivo dar a conhecer a pequena (sim, porque com a contrução da nova estrada foi traçada pelas máquinas e pelo alcatrão) mata da vila de Monte Real.
Em idos anos, fora local da prática de Motocross. Ao que parece, uma referência na região. Os habitantes da região preparavam as suas motas e aos domingos faziam competição.
Mais tarde, passou a ser utilizada como “campo de tiro” aos pratos. A Associação de Caçadores de Monte Real usava-a para afinar a pontaria.
Hoje em dia, e já bem devastada, é atravessada por Jipes e bicicletas.