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Bits & Bytes

#81, 19/03/2012@12:56

– FTF! FTF! – Gritei eu com toda a força que os meus pulmões podiam, ali, no meio daquele descampado. Gritei, é uma forma de dizer; então digamos apenas que ufanei para dentro de mim.

E aquela vozinha cá dentro, esse sacana do grilo falante que me põe travões em tudo quanto quero fazer, sai-se com esta:

– Mas tu és maluco, ou fazes-te?! Esta cache já tem centena e meia de registos!

– Sim, pois, mas não te esqueças que, desde que ela foi reformulada, eu sou o primeiro a encontrá-la, o primeiro a desflorar o recipiente e a desenrolar o livrinho. Que tal?

– Não podes estar bom da cabeça! Tu foges dos FTF’s como o diabo da cruz! Tu NUNCA, ouve bem, NUNCA fizeste um FTF na vida e agora vens para aqui reclamar o impossível?!

A vozinha estava fula comigo, o que também não era novidade. Mas aquela referência à parte superior da minha anatomia onde, supostamente, mora a razão, foi o suficiente para me levar a assentar os pés na terra. Afinal, estava atravessar o período crítico da minha convalescença. E isso só podia querer dizer que ela sempre tinha razão.

No dia anterior, os sintomas tinham-se manifestado: o meu corpo parecia ter levado uma tal sova que nem se aguentava deitado. E hoje de manhã tinha acordado com quase 39 de febre e emborcado mais 600mg de ibuprofeno que, não só me tiravam aqueles tremores do frio que sentiam, como ainda me faziam suar. Isto tudo num dia de calor e eu vestido de camisola e casaco polar com carapuço a tentar proteger-me do sol doentio.

No momento do encontro com o helicóide, estava eu numa consulta aberta nos Marrazes. Tinha chegado, faltavam quinze minutos para o meio-dia e dezasseis pessoas à minha frente. São coisas que me põem doente.

Como tinha tempo e sabia que esta caixinha estava perto, aproveitei a sugestão da senhora administrativa para ir almoçar e juntar mais um número aos meus sucessos. O enigma já tinha sido resolvido há algum tempo, com uma facilidade inusitada que até a mim me surpreendeu. Já as buscas no local também não precisaram de muito tempo: após ter verificado a possibilidade de ela estar camuflada nalguns ramos, houve ali aquele pormenor que atraiu o meu olhar e que imediatamente me arrancou um sorriso:

– Só podes ser tu! – Foi retirar o minúsculo rolo e rabiscar o costume com o lápis de carpinteiro, que era o que na altura tinha como material de escrita no meu bólide.

E lá voltei eu para a fila de espera, por mais três longas horas até ser atendido pelo médico. Ai, se o sistema de saúde fosse ao menos como o Geocaching: pelo menos não tínhamos de desesperar com esta velocidade de caracol…

P.S. Tudo magnífico, ao nível daquilo que o arquitecto da cache me tem habituado, o enigma e o contentor… e aquele pormenorzinho de retirar o livro de dentro do recipiente… Quase tão magnífico como esta gripe que ainda me persegue de mansinho…

O sistema numérico binário, difere em vários aspectos do sistema decimal. Este sistema numérico é de base 2 e apenas contém dois algarismos, que são ’1’ e ‘0’. O sistema numérico binário, é o usado nos computadores e nos micro controladores, porque é de longe, muito mais adequado ao processamento por parte destes dispositivos do que o sistema decimal. Normalmente, os números binários são compostos por 8, 16, ou 32 dígitos.
01100101 é um número binário com 8 dígitos.

Os computadores digitais trabalham internamente com dois níveis de tensão, pelo que o seu sistema de numeração natural é o sistema binário (ligado, desligado). Com efeito, num sistema simples como este é possível simplificar o cálculo, com o auxílio da lógica booleana. Em computação, chama-se a um dígito binário (0 ou 1) de bit, que vem do inglês Binary Digit. Um agrupamento de 8 bits corresponde a um byte. Um agrupamento de 4 bits é chamado de nibble.
Como o sistema binário representa o estado de um dedo recolhido na mão (0) ou esticado (1), por vezes é referido como sistema digital.