Quando esta cache saiu ainda pensei: ui, uma caixinha, mesmo aqui ao pé do trabalho; é já!
E depois caí na realidade. Primeiro, FTF’fs não é comigo. Eu sou mais FTFTF e não vou explicar aqui, com aquele receio de ferir as susceptibilidades dos adeptos desta sub-modalidade; procurem na net, dizem que ‘tá lá tudo.
Segundo, multi’s também não é comigo. Isto é, eu faço-as, um bocado a contragosto, mas prefiro ir directamente ao assunto. Posto isto, é fácil de adivinhar que esta foi feita, digamos, às prestações à moda do planeta agostini.
Já perdi na memória o dia da minha primeira investida para descobrir o ponto inicial. Sei que foi com o nvcosta mais a missB e ainda uma companhia que não perde tempo com taparuéres. Na pausa para o café do almoço, ali na Marquês de Pombal, demos o saltinho ao local. Enquanto elas apreciavam a (sobejamente conhecida) vista, nós, gajos, tratámos de esmifrar os cantos à casa. Calhou-me a mim a descoberta, lá no alto, do que me levaria ao segundo ponto. Mas teria de ficar para uma próxima vez. Há quem trabalha nesta terra e o salário é para se merecer.
A segunda investida ao segundo ponto foi mais ou menos na mesma companhia. Mais uma vista conhecida de outras andanças e do registo da outra cache que foi sua antecessora. Pela pressa, nada feito. Qual caixinha, qual carapuça!
Na terceira demanda, fui sozinho, nem me lembro a que propósito. Andei ali às voltas e depois de alguns minutos contados, lá vislumbrei as insígnias do jogo. Caches e pistas é que nem vê-las. Mas viram-me a mim: um dos transeuntes a ver-me como quem procura lentes de contacto no chão, questionou-me:
– Precisa de ajuda? – respondi que não, obrigado. E desisti.
Um dia muito mais tarde, depois de ter abordado o dono na comunidade facebookiana do GC, é que arranjei um tempinho para voltar ao local para consumar o crime. E foi difícil: a dica estava muito escondidinha e só com o “sim senhor” bem para o ar é que descodifiquei e anotei os números. Aqui vou abrir um parênteses para informar o dono que a mensagem do segundo ponto encontra-se débil e em risco de fenecer a todo o momento.
Nesse dia, ia dar mais uma formação e ainda tinha vinte minutos para alcançar o objectivo final. Como a coisa estava a uns 247 metros, achei que ia ser fácil. Só não contei com o desvio do meu android que me levava para um cantinho escuro do prédio. Escuro, porque o pôr-do-sol avançava a passos largos e a minha acuidade visual estava a dar o berro por via disso.
Quando estava quase a desistir, lá se fez luz e pensei assim para os meus botões:
– Se o nome dela é aquele que é, faz sentido que procure um sítio de onde se veja o castelo… – Meu dito, meu feito. Afinal, era só atravessar a estrada para se ver o monumento, já iluminado, e encontrar, novamente as insígnias que nos são familiares. Apesar de não ser isso que procurava, pelo menos dava-me a certeza de que, desta vez, estava no sítio certo. E o contentor, achado logo a seguir comprovou isso mesmo. Camuflado, como deve ser. Anotei o registo com um lápis de pedreiro que era o que havia na altura dentro do meu bólide…
Existem três lendas, no imaginário local envolvendo o Castelo:
Segundo uma, estando o castelo em posse dos Mouros, preparava-se o Rei D. Afonso Henriques para retomá-lo.
Ao observar os corvos que esfoaçavam sobre o castelo, pareceu-lhe que repetiam ‘agora não, amanhã de manhã’.
Por essa razão, aguardou até ao amanhecer para desferir o ataque, logrando retomar o castelo.
Uma outra lenda refere que sob o castelo existe um vulcão adormecido, responsável pelo aquecimento da água da Fonte Quente.
A última assegura que existe uma entrada secreta subterrânea que permite a comunicação do castelo com uma igreja, do lado oposto da cidade.