#57 – #74
No momento em que escrevo estas linhas, um dia depois da grande jornada, vale-me estar sentado em frente ao pc em cadeira convenientemente almofadada, não vá o incómodo no “sim senhor” resultante da pedalada, intensificar-se a ponto de desistir da escrita ou torná-la ainda mais breve.
Pela primeira vez, juntei-me à trupe “Põe-te a mexer”. Das outras vezes tinha-me posto a milhas: um pai de família tem coisas bem mais importantes para fazer do que andar a catar caixinhas. Desta vez acedi a imiscuir-me e juntei-me à corja. Estavam reunidos alguns requisitos: ser perto de casa e a ideia de pedalar para dar cabo de algumas adiposidades juntamente com o salutar convívio junto de malta fantástica, foi motivo que, à partida – e à chegada – imediatamente me convenceu. Outro pormenor importante: a nossa relação com as bicicletas era praticamente equivalente, ou seja, pouco mais que inexistente. Na base deste handicap, iniciámos a nossa tour, que contou, para além de mim, com o Pe-r-di-me-team, o nvcosta, o davidejesus, a martinhagomes e o jjordao.
Após aferirmos e conferirmos os nossos veículos, pude constatar que os meus dois velocípedes seriam os merecedores do prémio “pior-chasso”: para além da pintura especial tipo art-déco, tinha outros pormenores interessantes que se vinham a confirmar mais tarde. Aliás, o preço que dei por eles há cinco anos, tinha sido a exorbitante quantia de 50 oiros. E isso não está ao alcance de qualquer bolsa. Durante o percurso, ainda tentei vendê-los por 15 oiritos. Clientes é que nem vê-lo.
Mas vamos lá começar a viagem que se faz tarde e o senhor nvcosta já fez questão de dar meia hora de atraso às festividades.
O plano de viagem era simples: trilhos do lis, sempre à beira do rio mais conhecido das redondezas, talvez pelas razões que não abonam muito a seu favor. Começámos pela #5. As primeiras quatro ficarão para outras núpcias por razões que estão implícitas lá atrás e que se confirmam lá à frente. Haveria vinte quilómetros para fazer até ao local do piquenique, mais vinte no regresso. A coisa prometia. E cumpriu.
A maior parte dos contentores foi fácil de encontrar. Ora procuro eu, ora procuras tu, ora registo eu, ora registas tu. O melhor do passeio – não desmerecendo nenhuma cache que, afinal de contas, foi o que nos proporcionou este belo dia – foi sobretudo o companheirismo. Se juntar-mos a isto, algumas peripécias, pode facilmente concluir-se que ganhámos o dia.
Ainda antes da primeira paragem, já nós tínhamos de parar: alguém tinha soltado a corrente do seu veículo. De quem era o dito cujo: do “je”! Quem ia sentado nele: o nvcosta. Ui, começou bem. Muito bem mesmo. Mas não esmorecemos, porque a coisa até se resolveu muito bem e muito depressa.
Pelo o trilho cruzámo-nos com outros ciclopedistas. Em alternância com o registo das caches íamos apreciando a paisagem. O passeio era descontraído, nada de pressas que a gente está aqui é para usufruir do momento.
Mais à frente, alguém da comitiva se queixa do guiador: epá, está solto! A vítima era, mais uma vez aquele que nós sabemos: o nvcosta. O gajo está talhado para aquilo. Foi um fartote. O davidejesus vinha apetrechado com umas chaves, mas que, julgou ele, não davam. Só mais uns quilómetros à frente, depois do condutor em causa quase ficar com aquilo na mão, a situação foi resolvida. Afinal, as chaves sempre davam, aliás, eram AQUELAS chaves. (Para mim, aquilo cheirou-me a partida).
À hora quase prevista estávamos a almoçar. E que bem que soube. Temos de agradecer à minha esposa e à do nvcosta que, embora não integrando a comitiva, se prestaram a dar todo o apoio. Entretanto, já se começavam a ouvir as queixas de dores provenientes da região isquiática (isto de ter uma enfermeira no grupo faz crescer o nosso vocabulário anatómico).
Depois dos comes, siga, que ainda vamos a meio. Ainda havia mais quatro ou cinco para fazer daí que, ala que se faz tarde. Aproveitámos para fazer as da Vieira. E foi durante esse circuito que o veículo do Pe começou a dar de si. O pedal da direita já evidenciava traumatismos da viagem e teve que levar ali um curativo improvisado. Não admirava: acho que aquela bicicleta era da mesma família das minhas.
Feitas as caches, caminho de regresso. Aqui é que foi o – meu – grande estoiro. O rolamento do carreto deu de si, entortou e a corrente acabou por partir. Tenho de ficar a penantes, continuem vocês que eu vou a pé. E lá os vi afastarem-se e eu agora sozinho e desamparado nesta jornada. Enquanto aguardava pelo carro de resgate, continuaria o caminho e pé com a minha companheira de viagem tão debilitada quanto eu. Por incrível que pareça, ainda me cruzei com a comitiva mais à frente: eu a pé, eles de bicla! Quer dizer: ando eu pá mais rápido que eles de rodas.
Depois disso, acabou-se o passeio para mim. Eles ainda tinham muito para pedalar e alguns pedais até ficaram pelo meio do caminho.
Custou? Custou um bocadito. Foi bom? Foi óptimo! Para repetir? Claro!
Este PowerTrail foi criado para dar a conhecer alguns caminhos junto ao rio Lis até á Praia da Vieira.
O PowerTrail tem uma distância de 21kms e pode ser feito de btt ou tt..Não aconselhamos a fazê-lo a pé e em alguns sitios os carros ‘normais’não passam…