geocaching

À volta da praia da Oura

#39 #40 #41 Às vezes não faz sentido separar histórias de caches que são distintas e de proprietários diferentes. Elas acabam por ficar na nossa memória como um todo, indelevelmente associadas a um momento da nossa história. As que encontrei e passo a descrever são exemplo disso mesmo. E vou ainda mais longe ao incluir uma extra que até nem encontrei, mas que ocupará um lugar especial pelo que me proporcionou.

O que as une são pouco menos de uma semana de férias e que eu mais a minha esposa e filhote nos armámos de armas e bagagens para a praia da Oura. Assentámos arraiais ali naquela rua, onde à noite tudo se passa, com turistas de todos os cantos, na maioria estrangeiros, a ocuparem os bares com copos na mão e muita algazarra. Para nós, a noite era para dormir. Embora o nosso rebento de dois anitos ficasse fascinado pelas luzes que coloriam os espaços nocturnos, punha sérias reservas à sua frequência.

— Tenho medo! — dizia, numa tentativa de aproximação. Não insistíamos, talvez por o subconsciente paternal nos dizer que, um dia mais tarde, teria acesso de sobejo à vida nocturna.

No primeiro dia, fizemos um périplo à propriamente dita praia da Oura. Conscientes de que, durante o dia, o acesso estaria dificultado pelo terreno e, sobretudo, pela sua reduzida dimensão, decidimos experimentar outras praias bem mais atraentes. Aqui entra a função do geocaching: ajuda-nos a escolher o local. E assim fizemos. As manhãs seriam para praiar, as tardes, para “piscinar” no hotel que nos albergava.

No dia seguinte, a escolha recaíra na praia Maria Luísa, aquela que fatidicamente (bato na madeira) tinha sido notícia no ano passado pela queda de uma arriba. Para nós não seria problema, que somos gente precavida. Chegar lá não foi tarefa fácil e o estacionamento também não facilita. Lá encontrámos as escadinhas que dão acesso ao areal e o resto da manhã correu calma e tranquila. Numa pausa, ausentei-me do meu agregado para procurar o Seaside Paradise. Estava a 300 metros e o grau de dificuldade baixo garantiu-me uma demanda rápida. Fui pelo caminho já anteriormente calcorreado por outros turistas, junto à falésia, e acabei por encontrar a dita cuja, a alguns metros do ponto zero do gps. No momento de registo, um milhafre, julgo, faz-me companhia, pousado num dos postes da estacaria. Regressei pelo areal.

A próxima jornada foi decidida por uma reportagem que tinha passado na televisão há poucos dias: Olhos d’Água. Fica imediatamente a seguir à que nos recebeu antes, mas com estacionamento e acessos muito mais facilitados. O programa das festas foi o mesmo: a meio da manhã arranjei o meu “geomomento” para achar a Eyes Wide Watered que se situava a escassos 300 metros das toalhas de praia. Foi só subir a escadaria de acesso na praia ao lado e galgá-la para o sopé do pinheiro. Lá estava: à vista de toda a gente, mas bem camuflada. No regresso, ainda deu para provar da água doce das nascentes que dão nome à praia do nosso dia.

O terceiro dia foi para praia em Albufeira. Pausa no geocaching. Ainda tentei ir fazer a da marina, mas o JR estava com sono e, quando isso acontece, o melhor é dar-lhe a atenção toda antes que arme a birra.

Para o nosso último dia de praia, escolhemos São Rafael, entre Albufeira e Galé. Mais uma novidade para nós numa praia bem simpática e de acessos à medida de quem tem muita tralha para levar para o areal. Mas o mar parecia menos manso, talvez a adivinhar o que aí vinha. A cache São Rafael estava mesmo ali perto, a escassos 200 metros, pelo que achá-la não deu trabalho nenhum.

Assim sendo, aproveito para fazer a Down Under que são apenas mais 500 metros. Maus cálculos: 500 metros, em linha recta quando o percurso teria de ser feito aos “esses”. O pico do calor aproximava-se, mas, estando eu a caminho já não podia voltar para trás. Suei em bica mas cheguei ao local desta última cache. Não a encontrei! Mas, caramba, nunca na minha vida tinha visto uma praia assim. Parecia saída dos filmes. Apenas uma família se banhava no sítio, os sortudos. Quem me dera ter tido tempo para poder desfrutar mais daquele espaço que a natureza ainda vai guardando para os mais afoitos. Para mim foi a cache que mais gostei, até agora, de não ter encontrado. Privilégios de geocacher que permite ter acesso a recantos paradisíacos.

Mas havia qualquer coisa que me atormentava o espírito. Ainda tinha de fazer o caminho de regresso. Foi aí que recebi o telefonema a explicar a razão da tormenta: o Jr estava muuuito chato. O sono e a fome do meu filhote obrigaram-me a acelerar o passo para evitar males maiores. Talvez um dia, quando ele for maior, possa visitar com o pai aquela praia escondida…

Os Olhos de Água são uma freguesia do concelho de Albufeira, com 15,69 km² de área e 3 221 habitantes (2001). Densidade: 205,3 hab/km².

Pequena povoação de origens piscatórias, a formação do seu nome teve origem na existência de varias nascentes de água doce na praia a beira mar e dentro do mar.

Junto a essas nascentes de água doce, fixaram-se Fenícios, Cartagineses assim como os Romanos, que praticaram a pesca e desenvolveram a salga e secagem do peixe, que se estenderam por todo o litoral algarvio. Recentemente em trabalhos arqueológicos, foram encontrados vestígios de tanques de salga do período Romano, nas vizinhas praias Maria Luísa e Santa Eulália.

A partir da década de 60′ o turismo em rápido crescimento, tem sido o grande dinamizador da economia dos Olhos de Agua, aumentando o número de estabelecimentos hoteleiros, comerciais, restaurantes, bares, apartamentos, hoteis.

Olhos de Água dista 6 km. de Albufeira que é a sede de concelho e 3km.das Areias de São João onde a maior parte da diversão nocturna se situa. Recentemente foram feitos alguns melhoramentos na frente mar com o melhoramento das instalações dos pescadores e rampa de acesso a praia, assim como nos balneários públicos e chuveiros, passeios, bancos de jardim. Olhos de Água e um lugar perfeito para ferias familiares, onde a maior parte dos serviços estão a uma distancia razoável, diferentes praias, bares, restaurantes, supermercados, banco, lojas, posto de correios, centro de saúde, clínica privada, hoteis, paragem de autocarros, taxis, todos os serviços para umas ferias agradáveis.

Esta cache irá levar-vos a dar um agradável passeio pedestre por um passadiço numa zona com uma vista fantástica sobre as praias de Olhos de Água e da Falésia.

Situada no concelho de Albufeira, com um areal amplo e enquadrado por arribas calcárias de tons quentes, muito fracturadas e fissuradas. Nesta praia pode-se observar uma diversidade notável de modelados rochosos muito curiosos, de que são exemplos a Ponte Pequena e o Ninho das Andorinhas: arcos, sapas (cavidades escavadas na base das arribas), algares (poços naturais) e leixões (núcleos rochosos isolados), formas resultantes da acção conjunta da força mecânica das ondas do mar sobre as arribas e da água da chuva, que promove a dissolução da rocha calcária. Na envolvente da praia surgem manchas de pinhal e enormes arbustos de aroeira, suspensos sobre o topo muito ravinado e sulcado das arribas. Já no areal e exposta ao ambiente marinho, abundam as salgadeiras, planta que, por assim dizer, transpira sal, sendo possível, pela manhã ou final de tarde, observar cristais de sal reluzentes nas suas folhas. Quando a transparência da água o permite, vislumbra-se o contorno misterioso das rochas submersas, já um passeio de máscara e barbatanas desvenda a vida marinha que abunda neste troço de costa.

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