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a “alma e imagem” nas mãos


Depois de ter tirado mais de 400 fotos, tê-las tratado uma a uma e paginado com elas e mais alguns diagramas 176 páginas, é gratificante termos nas nossas mãos o resultado de muito trabalho e algumas dores de cabeça. É certo que nem tudo saíu como esperava ou desejava, com culpas repartidas entre mim e o equipamento, mas no geral e à primeira vista é agradável. E todos sabemos como, nestas coisas das artes gráficas, é importante a primeira impressão…

«ALMA E IMAGEM»
‎O magnífico catálogo do Museu da Diocese de Leiria-Fátima

‎Acaba de ser publicado, pela Diocese de Leiria-Fátima, numa edição da Comissão de Arte e Património, o catálogo do seu Museu, sediado, como se sabe, no Museu Diocesano.
‎Da autoria do Padre Américo Ferreira, um dos entusiastas responsáveis pela reunião e conservação de tão precioso espólio, tem fotos admiráveis de Paulo Adriano.
‎Depois de se explicar a «génese e evolução» do museu, temos capítulos sobre arte sacra, acervo diverso, azulejaria, Pré-história, Romanização e conclui-se no acutilante capítulo «Projecto do Museu de Leiria», cujos dois últimos parágrafos importa transcrever:
‎«A Igreja de Leiria não quererá responder por omissão perante o tribunal da história por se ter recusado a um diálogo aberto, concertado e razoável entre o seu património cultural e artístico e as gentes de Leiria. E julgamos que a Câmara Municipal também não.
‎O museu de Leiria perfila-se ser exequível e capaz de aglutinar as boas vontades. Basta apenas um gesto de boa vontade por parte dois poderes públicos: a devolução do edifício do antigo Seminário ao seu proprietário de origem, para nele se poder instalar também o Museu de Leiria».
‎No âmbito da Arqueologia, há no museu, da época pré-histórica, peças do Neolítico e do Bronze Final; do período romano, fíbulas, cerâmica, objectos vários, numismas e inscrições (cujo corpus ora pela primeira vez é publicado na íntegra, ainda que sem inscrições inéditas, pois tudo foi sendo publicado em seu devido tempo). Também aqui as fotografias são excelentes.
‎Consubstancia o título a ideia-mestra do livro: são imagens de tempos idos, desde a Pré-história até quase aos nossos dias; mas tanto o peso de tear romano, a fíbula, o epitáfio de alguém cuja memória se quis perpetuar há dois mil anos atrás, como as imagens dos santos ou as alfaias litúrgicas detêm, na verdade, uma «alma». Existiram num determinado tempo para transmitir e despertar sentimentos, emoções, ajudar o Homem na sua caminhada; existem hoje, preservadas, sabiamente expostas, para que o Homem consciencialize as fases por que essa caminhada passou.
‎Com o saber-Iongamente acumulado através_da aturada investigação a que se tem dedicado ‎desde há décadas, o pe Américo Ferreira oferece-nos, assim, neste volume – que não hesitamos em classificar de magnífico, em todos os seus aspectos – um importante manancial que, ao longo dos anos, a Diocese de Leiria-Fátima soube recolher e preservar.

‎José d’Encarnaçào